18 de jan de 2016

O Texto Mais Libertador da Minha Vida

Eu passei uma parte da minha vida tentando agradar aos outros. Nada além do comum ou do que muitos fazem em boa parte de suas vidas ou vão passar a vida toda fazendo. De qualquer forma, como acontece com a maioria, essa fase veio na adolescência, naquela mania de querer ser aceito por todo mundo e querer fazer parte dos grupos descolados da escola ou pelo menos da sua turma. E sim. Já pratiquei bullying uma vez - não me orgulho disso - e também já sofri muito mais. Não acho que poderia ter feito algo para evitar a segunda questão, uma vez que eu fazia de tudo para ser aceita. Tentava me vestir bem, ouvir as músicas que todos ouviam e falar as gírias que todos falavam. Tentava ficar com os caras mais legais da escola, ir nas festinhas mais legais e ser a garota legal que todos gostavam. Mas eu era, de certa forma, nerd. Tinha as melhores notas das turmas ou estava lá entre as melhores. Os professores confiavam em mim e na minha inteligência. Eu era boa em todas as matérias, fazia esportes... Mas eu queria ser aceita. Como a escola era "pequena" e estudei a maior parte da vida com as mesmas pessoas, foi mais fácil me enturmar. Mas a verdade é que eu nunca fui aceita de verdade e vi isso lá pela oitava série. Eu não tinha nenhuma amiga. Apenas pessoas interessadas no fato de que se fizessem trabalhos em grupo comigo, com certeza teriam uma boa nota sem fazer nada porque eu sempre tive aquela mania: quer algo bem feito, faça você mesmo. E eu fazia... Até duas amigas de verdade chegarem ao ponto de esclarecer á professora uma situação que nem eu mesma via. Mas eu vi naquele dia. Cortei amizades e sabem o que me restou? Duas amigas que falo uma vez por mês, no máximo. No Ensino Médio fiz bons colegas também, sinceros dessa vez, mas nem por isso mantiveram contato. Eu soube disso porque já tinha experimentado da falsidade. A partir daí eu comecei a ser quem eu realmente era. E em uma parte do terceiro ano, de alguma forma, eu consegui fazer algumas pessoas não gostarem de mim possivelmente sendo só quem eu sou. Nada de muito novo, por isso não fiz muita questão de me prender a esse fato. Mas precisei me prender ao fato de havia algo de errado.
Hoje eu paro e vejo o meu passado e me orgulho de várias coisas e me arrependo de muitas, mas bato no peito para dizer que qualquer merda que tenha acontecido, boa ou ruim, foi o suficiente para me tornar uma pessoa diferente. Nem boa ou melhor, nem ruim ou pior. Mas de pés firmes, real e madura. Talvez por todas as situações que passei anos atrás, hoje em dia tenho muita dificuldade em criar amizades. Além das duas amigas que mal mente falo, tenho outra muito especial que, literalmente, mora doutro lado do país. E sou humana, tenho sentimentos e faço questão de me perguntar o motivo de não ter tantas amizades, de não ter quem chamar para sair nos fins de semana ao ponto de aprender a conviver com a própria companhia, algumas vezes de forma deprimente até. Eu não faço questão de ser simpática com ninguém além daqueles que eu preciso ser. Não faço questão de me vestir como querem nem ouvir as músicas que querem que eu ouça. Não faço questão de sair para lugares que não quero para conhecer pessoas que não quero conhecer. Não faço questão de falar o que querem ouvir porque sou daquelas que fala o que precisam ouvir. Sei que criei uma bolha ao meu redor que me impede de fazer novas amizades porque eu pouco experimentei o lado bom de ter amigos. As situações desagradáveis foram mais constantes do que os bons momentos e isso nos faz criar uma defensiva para com o mundo ao nosso redor. 
Mais uma vez digo que não me orgulho de ser uma pessoa, de certa forma, antipática, mas também não me envergonho de fingir ser algo que não sou, como o mundo espera. E ele espera. Espera que eu seja uma boa pessoa com todos ao meu redor, que eu engula todos os sapos que me jogam ou todas as críticas que me fazem. Espera que eu curse uma boa faculdade e tenha um bom emprego. Espera que me case e tenha filhos, que não faça tatuagens e que eu lhes ofereça algo de útil além de desenhos mal-feitos. Eu já ofereci muito de mim ao mundo e ele sugou tudo o que pôde. Agora eu sou tenho a oferecer quem eu sou. Só tenho a oferecer o que restou de tantas experiências amargas e se eu dissesse que não sinto uma certa amargura de algumas pessoas do meu passado, eu estaria mentindo, mas é inevitável quando você olha para alguém que não lhe trás boas recordações. Ou mesmo as que você achava serem boas, passam a ser falsas. Porque eu cansei de ser uma pessoa politicamente correta quando o mundo ao meu redor só me oferece restos. Restos de amizades, restos de paixões e restos de sorrisos. Porque eu sei que posso e mereço mais. Muito mais. Porque eu luto para ser uma pessoa melhor. Não diferente, não mais amável ou afável, só melhor. De alguma forma. E ao mundo, nesse momento, eu só tenho a oferecer quem eu sou. Gostem ou não. E se não gostarem, não será nenhuma novidade para mim de qualquer forma mesmo...

8 comentários:

  1. oi, oi;

    nossa, que texto mais lindo. sem dúvida alguma ele representa a vida de muita gente, principalmente da adolescência.

    quem sofreu bullying? quem nunca praticou ou apoio movimento onde o coleguinha era humilhado? e quem nunca teve de mudar sua essência pra agradar os outros? ainda bem que a gente muda...

    bjs!
    Não me venha com desculpas

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    1. Verdade, ainda bem que a gente cresce haha Mas faz parte da vida e nos ajuda a aprender mais sobre esse mundo doidão...
      Beijos!

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  2. Muito bom o texto e bem reflexivo. Acho que todos passamos por uma fase insegura e difícil, mas felizmente ela é uma "fase" e depois só temos a crescer com esse aprendizado.
    boa semana :)

    Red Behavior

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    1. Verdade Duda, apesar de não ser momentos relativamente bons, são necessários para que a gente aprenda a lidar melhor com essas situações quando adultos né...
      Beijos!

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  3. Olá, Bruna.
    Eu gostei bastante do seu texto. Eu nunca fui de querer agradar outras pessoas. Sempre fui eu mesma, mesmo que isso significasse não estar nos melhores grupos. Agora bullying era uma coisa comum, todo mundo fazia e todo mundo era zoado também.Parabéns pelo texto.

    Blog Prefácio

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    1. Oi Sil, obrigada! Infelizmente até a gente cair na real de que não precisa mudar para agradar aos outros, a gente passa por vários bocados né? Que bom que você nunca teve que fazer isso haha Ser quem a gente é, é a sensação mais libertadora do mundo!
      Beijos!

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  4. Adorei o texto, acho que você disse tudo. A gente passa muito tempo tentando agradar os outros, e pra que? O importante é ser melhor, e ser feliz com a gente mesma.

    bj Má
    www.2betrend.com.br

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    1. Oi Má, acredito que tudo não passa de conhecimento, principalmente sobre si mesmo. Nem sempre são fases boas, mas necessárias para encontrar a felicidade em nós mesmos.
      Beijos!

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Obrigada por comentar ❤️